{"id":412,"date":"2021-06-03T12:10:55","date_gmt":"2021-06-03T15:10:55","guid":{"rendered":"https:\/\/eventeditora.com.br\/hotsites\/ht25anos\/?p=412"},"modified":"2021-06-04T11:11:01","modified_gmt":"2021-06-04T14:11:01","slug":"ouvido-o-interprete-dos-sons","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eventeditora.com.br\/hotsites\/ht25anos\/ouvido-o-interprete-dos-sons\/","title":{"rendered":"OUVIDO: O INT\u00c9RPRETE DOS SONS"},"content":{"rendered":"<h2><b>OUVIDO: O INT\u00c9RPRETE DOS SONS<\/b><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Saiba at\u00e9 que ponto os limites da audi\u00e7\u00e3o humana podem interferir na reprodu\u00e7\u00e3o musical<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>POR VINICIUS BARBOSA LIMA<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO universo \u00e9 incolor, inodoro, ins\u00edpido e silencioso. As percep\u00e7\u00f5es diferem, qualitativamente, das caracter\u00edsticas f\u00edsicas do est\u00edmulo, porque o c\u00e9rebro extrai uma informa\u00e7\u00e3o e a interpreta em fun\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias anteriores com as quais se associe. Experimentamos ondas eletromagn\u00e9ticas, n\u00e3o como ondas, mas como cores. Experimentamos objetos vibrando, n\u00e3o como vibra\u00e7\u00f5es, mas como sons. Experimentamos subst\u00e2ncias qu\u00edmicas dissolvidas em ar ou \u00e1gua, n\u00e3o como qu\u00edmicos, mas como cheiros e gostos espec\u00edficos. Cores, sons, cheiros e gostos s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es da mente, a partir de experi\u00eancias sensoriais. Eles n\u00e3o existem como tais, fora de nosso c\u00e9rebro\u201d.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As palavras soam complicadas, mas traduzem uma incr\u00edvel realidade: cores e sons n\u00e3o existem! O que h\u00e1 s\u00e3o ondas eletromagn\u00e9ticas, que s\u00f3 se tornam cores, por exemplo, quando interpretadas pelos olhos e sistema neurol\u00f3gico de seres vivos. Essa perturbadora vis\u00e3o foi apresentada por Jorge Martins de Oliveira, professor da UFRJ e diretor do Departamento de Neuroci\u00eancia do Instituto da Pessoa Humana (RJ).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo ele, a grama n\u00e3o \u00e9 verde, o c\u00e9u n\u00e3o \u00e9 azul. Cor \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o registrada quando a luz de diferentes amplitudes \u00e9 enviada ao nosso c\u00e9rebro. Ela \u00e9 observada e interpretada a partir de objetos que emitem determinadas amplitudes de luz. Mas, para os nossos olhos, o mundo \u00e9 colorido.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Portanto, h\u00e1 uma maneira de transformar tais irradia\u00e7\u00f5es eletromagn\u00e9ticas em algo intelig\u00edvel para n\u00f3s. As cores est\u00e3o em n\u00f3s, e n\u00e3o nos objetos, sen\u00e3o como explicar o daltonismo, uma defici\u00eancia que impede certas pessoas de perceberem algumas cores, em especial o vermelho? <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O mesmo vale para o som. Pode-se dizer que n\u00e3o existe. O que ocorre s\u00e3o ondas de vibra\u00e7\u00e3o, de natureza mec\u00e2nica, que movimentam as mol\u00e9culas do ar atmosf\u00e9rico. Esse se encarrega de conduzir tais ondas at\u00e9 nossos ouvidos, onde as vibra\u00e7\u00f5es ser\u00e3o traduzidas em pulsos el\u00e9tricos, interpretados por nosso sistema neurol\u00f3gico como sons.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas notem que o som surgiu apenas na fase final da interpreta\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es angariadas (as vibra\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas), j\u00e1 que originalmente ele n\u00e3o existia na natureza.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fica, ent\u00e3o, a pergunta: nossas caixas ac\u00fasticas emitiriam som, se n\u00e3o houvesse no local ningu\u00e9m para ouvi-lo? A resposta, nua e crua, \u00e9 n\u00e3o! Atrav\u00e9s do movimento de excurs\u00e3o dos falantes, s\u00e3o formadas ondas de compress\u00e3o, as tais vibra\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas, que posteriormente ser\u00e3o por n\u00f3s interpretadas como sons. Se n\u00e3o houver nenhum ser vivo por perto para captar tais vibra\u00e7\u00f5es, n\u00e3o existe som, mas sim uma sucess\u00e3o infind\u00e1vel de ondas mec\u00e2nicas vagando pela sala.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em termos perceptivos, o som pode ser definido em altura, timbre e intensidade. O timbre est\u00e1 associado \u00e0 qualidade do som e \u00e0 composi\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica, na qual cada nota musical \u00e9 composta de uma freq\u00fc\u00eancia fundamental e de complexa combina\u00e7\u00e3o de harm\u00f4nicos superiores (m\u00faltiplos da freq\u00fc\u00eancia fundamental). A altura est\u00e1 relacionada com a percep\u00e7\u00e3o de grave e agudo. Quanto mais agudo, mais alto \u00e9 o som.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 algo bastante subjetivo, j\u00e1 que depende diretamente da capacidade de audi\u00e7\u00e3o do ouvinte. Por fim, a partir da intensidade sabe-se se o som \u00e9 forte ou fraco.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A capacidade de audi\u00e7\u00e3o diminui com a idade, o que \u00e9 um fato comprovado, e n\u00e3o apenas uma teoria. Pesquisas mostram que o \u00e1pice da audi\u00e7\u00e3o ocorre entre os 5 e os 17 anos, ou seja, entre a flor da inf\u00e2ncia e o auge da adolesc\u00eancia. Assim, \u00e9 improv\u00e1vel que algu\u00e9m, aos 60 ou 70 anos, ou\u00e7a t\u00e3o bem quanto no passado. Nessa idade, \u00e9 muito dif\u00edcil conseguir ouvir abaixo dos 80Hz e acima dos 16kHz.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A perda de audi\u00e7\u00e3o \u00e9 impercept\u00edvel, j\u00e1 que ocorre gradativamente ao longo de muitos anos. Assim, \u00e9 comum tamb\u00e9m a pessoa achar que ouve todos os detalhes da reprodu\u00e7\u00e3o musical; afinal, a faixa de freq\u00fc\u00eancias a cumprir \u00e9 consideravelmente menor. A verdade \u00e9 que o tempo \u00e9 implac\u00e1vel, n\u00e3o faz concess\u00f5es a amantes da m\u00fasica e\/ou propriet\u00e1rios de configura\u00e7\u00f5es high-end. Se o equipamento apresentar, por exemplo, uma grave defici\u00eancia na faixa dos 45Hz, ou ainda dos 19kHz, \u00e9 poss\u00edvel que ouvidos jovens e treinados identifiquem tais anomalias, mas dificilmente algu\u00e9m com mais de 65 anos teria condi\u00e7\u00f5es de detect\u00e1-las.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O natural processo de envelhecimento, mesmo em pessoas de meia idade, \u00e9 acompanhado de gradual perda na percep\u00e7\u00e3o auditiva. Algumas sensa\u00e7\u00f5es nos acompanham at\u00e9 o final da vida, devido a sua natureza. Outras, como a percep\u00e7\u00e3o do timbre, deterioram-se facilmente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para efeito de medi\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, \u00e9 utilizado um aparelho denominado audi\u00f4metro, no qual um oscilador gera \u201ctons puros\u201d de diversas freq\u00fc\u00eancias, que ser\u00e3o atenuadas atrav\u00e9s de um controle de intensidade. Os tons s\u00e3o transmitidos aos pacientes em intensidades decrescentes, at\u00e9 ser atingido, para cada tom, o limiar pessoal da audi\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No \u00e1udio, assim como em quase tudo na vida, limites s\u00e3o dif\u00edceis de serem alcan\u00e7ados com resultados satisfat\u00f3rios. Equipamentos encontram dificuldades em reproduzir freq\u00fc\u00eancias pr\u00f3ximas aos extremos do espectro aud\u00edvel, e em muitos casos sequer conseguem reproduzi-las. Da mesma forma, o ouvido humano encontra grandes dificuldades em detectar as freq\u00fc\u00eancias limites da audi\u00e7\u00e3o (20Hz e 20kHz), e tamb\u00e9m as muito pr\u00f3ximas a elas, o que est\u00e1 relacionado diretamente com a mec\u00e2nica contida nas ondas sonoras.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ondas de baixa freq\u00fc\u00eancia possuem pouca energia, e portanto n\u00e3o conseguem gerar vibra\u00e7\u00e3o suficiente para excitar o t\u00edmpano. Por outro lado, ondas de alta freq\u00fc\u00eancia, extremamente energ\u00e9ticas, n\u00e3o s\u00e3o percebidas, pois atingem o ouvido com muito mais rapidez. \u00c9 como se o t\u00edmpano n\u00e3o tivesse tempo para se preparar e enviar os sinais ao c\u00e9rebro, j\u00e1 que eles chegam mais r\u00e1pido do que o tempo levado para o t\u00edmpano interpretar uma vibra\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, como em geral os sons que nos cercam se situam bem longe dos extremos (por exemplo, a voz humana reside na regi\u00e3o m\u00e9dia do espectro), n\u00e3o se nota a perda gradual de audi\u00e7\u00e3o. Isso porque em determinado momento nossa pessoal gama aud\u00edvel ir\u00e1 coincidir com as freq\u00fc\u00eancias melhor reproduzidas pela configura\u00e7\u00e3o de \u00e1udio, descartando aquelas que os equipamentos possam n\u00e3o reproduzir t\u00e3o bem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo depois de todas essas informa\u00e7\u00f5es, perdura a quest\u00e3o: se n\u00f3s humanos podemos ouvir apenas a restrita faixa de 20Hz a 20kHz, por que muitos fabricantes utilizam, como artif\u00edcio de marketing, a informa\u00e7\u00e3o de que seus equipamentos s\u00e3o capazes de reproduzir freq\u00fc\u00eancias de at\u00e9 100kHz, algo comum nos novos formatos de \u00e1udio multicanal \u2013 DVD-Audio e SACD (Super Audio CD)?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Que os ouvidos humanos n\u00e3o conseguem captar e interpretar freq\u00fc\u00eancias t\u00e3o altas \u00e9 fato cientificamente comprovado. E quando se diz que tais freq\u00fc\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o captadas pelo aparelho auditivo, automaticamente afirma-se que n\u00e3o foram encaminhadas ao sistema nervoso, n\u00e3o sendo tamb\u00e9m interpretadas e reconhecidas pelo c\u00e9rebro. J<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00e1 testemunhei, em feiras de \u00e1udio, alguns \u201centendidos\u201d afirmarem que \u201cnosso ouvido n\u00e3o pode captar essas freq\u00fc\u00eancias, mas nosso c\u00e9rebro \u00e9 capaz de perceb\u00ea-las\u201d, o que se configura em imperdo\u00e1vel heresia fisiol\u00f3gica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Trata-se de uma quest\u00e3o t\u00e9cnica de eletr\u00f4nica, que nada tem a ver com a capacidade do ouvinte. A resposta de freq\u00fc\u00eancias estendida para al\u00e9m dos limites da audi\u00e7\u00e3o traz benef\u00edcios que ir\u00e3o se manifestar dentro da gama aud\u00edvel, e que v\u00e3o estar diretamente relacionados com a tecnologia utilizada na topografia do circuito de \u00e1udio e na qualidade final do produto em si.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para que um equipamento atinja ampla resposta de freq\u00fc\u00eancias, \u00e9 necess\u00e1rio que tenha excelente comportamento ao longo de todo o espectro, um desempenho linear, sem sobressaltos ou atenua\u00e7\u00f5es. Qualquer perda consider\u00e1vel em determinada freq\u00fc\u00eancia vai afetar as imediatamente adjacentes, sejam anteriores ou posteriores.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vamos estudar um exemplo: certo equipamento apresenta queda de 6dB ao reproduzir a exata freq\u00fc\u00eancia de 12kHz. Como \u00e9 imposs\u00edvel uma queda de desempenho t\u00e3o grande ocorrer de forma abrupta, essa perda de 6dB na verdade j\u00e1 vem se manifestando nas freq\u00fc\u00eancias anteriores, digamos a partir dos 8kHz de forma gradativa at\u00e9 atingir \u201co fundo do po\u00e7o\u201d aos 12kHz.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Da mesma forma, supondo que o aparelho consiga aos poucos se recuperar do \u201cburaco\u201d, gradativamente haver\u00e1 refor\u00e7o nas pr\u00f3ximas freq\u00fc\u00eancias, at\u00e9 atingir uma posi\u00e7\u00e3o \u201cflat\u201d. Com certeza, a resposta de freq\u00fc\u00eancias desse equipamento n\u00e3o passar\u00e1 dos 17kHz, j\u00e1 que o jogo de sobe e desce, com perdas e ganhos aqui e acol\u00e1, vai impedir que se tenha um resultado geral satisfat\u00f3rio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Trocando em mi\u00fados: imaginem um b\u00f3lido de F\u00f3rmula-1. Se ele n\u00e3o contornar a curva que antecede a grande reta em boa velocidade, sua velocidade final em reta acabar\u00e1 prejudicada. Por outro lado, se o maior obst\u00e1culo for a curva no final da reta, com certeza ser\u00e1 necess\u00e1rio frear antes, o que resultar\u00e1 igualmente em menor velocidade final.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em compensa\u00e7\u00e3o, se o piloto contornar ambas as curvas (de entrada e final da reta) em velocidade ideal, n\u00e3o haver\u00e1 perda de velocidade na reta, o que se traduzir\u00e1 em precisos d\u00e9cimos de segundo ao final da volta. \u00c9 f\u00e1cil notar como um acontecimento isolado pode influenciar os demais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De volta ao \u00e1udio, notem que o fator limitante na resposta de freq\u00fc\u00eancias do equipamento foi seu comportamento n\u00e3o linear ao longo do espectro aud\u00edvel. Portanto, para que o mesmo aparelho conseguisse uma ampla resposta de freq\u00fc\u00eancias, na casa dos 100kHz, deveria ter como principal caracter\u00edstica a linearidade, ou seja, um desempenho uniforme, sem altos e baixos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conclui-se, ent\u00e3o, que quanto menos atenua\u00e7\u00f5es ocorrem pelo caminho do sinal, mais longa ser\u00e1 a resposta de freq\u00fc\u00eancias final. Mas, e da\u00ed? Ora, se o equipamento conseguiu chegar aos 100kHz \u00e9 porque perdeu muito pouco ao longo das demais freq\u00fc\u00eancias do espectro. Isso significa que na faixa aud\u00edvel aos humanos (20Hz a 20kHz) foi apresentado um desempenho muito bom com grandes possibilidades de aprecia\u00e7\u00e3o da reprodu\u00e7\u00e3o musical.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 essa a melhora detectada pelos nossos ouvidos, e que explica toda a vantagem de formatos de alta qualidade, como o DVD-Audio e o SACD. E esse desempenho geral s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ado com muita tecnologia, seja aplicada na parte eletr\u00f4nica, seja na pr\u00f3pria m\u00eddia.<\/span><\/p>\n<h4><span style=\"text-decoration: underline;\"><b>A FOR\u00c7A DO TREINAMENTO AUDITIVO<\/b><\/span><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ser\u00e1 que a percep\u00e7\u00e3o auditiva pode melhorar com o treinamento? Beverly A. Wright e Matthew B. Fitzgerald, cientistas do Departamento de Ci\u00eancias e Dist\u00farbios da Comunica\u00e7\u00e3o e do Instituto de Neuroci\u00eancia da Universidade Northwestern (EUA), desenvolveram interessantes estudos que sugerem uma resposta para essa debatida quest\u00e3o.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O estudo parte do princ\u00edpio de que duas das sugest\u00f5es prim\u00e1rias usadas para localizar fontes sonoras s\u00e3o as \u201cdiferen\u00e7as de n\u00edvel (ou intensidade) no ouvido\u201d (interaural level differences, ou ILDs) e as \u201cdiferen\u00e7as de tempo no ouvido\u201d (interaural time differences, ou ITDs).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em resumo, essas sugest\u00f5es formam o conjunto de informa\u00e7\u00f5es que uma pessoa utiliza para localizar a fonte sonora. O objetivo foi descobrir se o treinamento e armazenamento de informa\u00e7\u00f5es na mem\u00f3ria auditiva poderiam melhorar a habilidade humana de detectar e identificar a localiza\u00e7\u00e3o de fontes sonoras e suas caracter\u00edsticas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A seguir, foram conduzidas duas experi\u00eancias visando explorar como a pr\u00e1tica afeta o discernimento humano para valores de ILDs e ITDs. Nos testes, mediram-se os limites de percep\u00e7\u00e3o e discernimento em um p\u00fablico que variou entre 13 e 32 ouvintes, todos com perfeita sa\u00fade, sendo 22 mulheres e 10 homens, com idades entre 18 e 44 anos. Nova bateria de testes foi repetida duas semanas depois.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A fase inicial da pesquisa mostrou que as coordenadas horizontais da fonte sonora s\u00e3o dadas pelas diferen\u00e7as das informa\u00e7\u00f5es que chegam aos ouvidos. Em freq\u00fc\u00eancias acima de 1,5kHz, ouvintes conseguem definir desde o \u00e2ngulo em que se encontra a fonte (azimute), at\u00e9 diferen\u00e7as de n\u00edvel sonoro percebidas por cada orelha.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esses ILDs acontecem porque a cabe\u00e7a forma uma barreira ao som entre as duas orelhas, fazendo com que os sons sejam mais intensos na orelha mais pr\u00f3xima da fonte e atenuados na que est\u00e1 mais distante. J\u00e1 em freq\u00fc\u00eancias abaixo de 1,5kHz, a percep\u00e7\u00e3o fica por conta das diferen\u00e7as de tempo de chegada (ITDs) do som nas duas orelhas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Novamente, est\u00e1 presente a condi\u00e7\u00e3o das orelhas separadas pela cabe\u00e7a, fazendo com que o som chegue primeiro na que est\u00e1 mais perto da fonte sonora, para depois chegar \u00e0 outra. Se a diferen\u00e7a de tempo de chegada for inferior a 150ms (milisegundos), o ouvinte ter\u00e1 grande sensibilidade para detectar a tonalidade do som captado. Portanto, a percep\u00e7\u00e3o pode ocorrer de forma diferente em cada uma das orelhas, algo similar ao som est\u00e9reo e ao som mono, s\u00f3 que ocorrendo simultaneamente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os ouvintes foram submetidos a diversas baterias de testes, em in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es de ILDs e ITDs. Os sinais sonoros variaram entre 0,5 e 6dB e foram aplicados simultaneamente \u00e0s duas orelhas, ou de forma individual, pelo per\u00edodo de uma hora por dia, durante nove a dez dias, perfazendo cerca de nove horas de treinamento auditivo. Ap\u00f3s duas semanas, o processo foi repetido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os ouvintes, por vezes, eram encorajados a adivinhar a origem do som logo na primeira tentativa, ou esperava-se que armazenassem as informa\u00e7\u00f5es, de maneira a identificarem as coordenadas quando da repeti\u00e7\u00e3o da bateria de testes. Resultado: todos apresentaram expressiva melhora nas percep\u00e7\u00f5es de ILDs e ITDs, principalmente nas condi\u00e7\u00f5es em que o sinal usado foi de alta freq\u00fc\u00eancia (acima dos 4kHz). J\u00e1 para a regi\u00e3o m\u00e9dia, os n\u00fameros foram mais modestos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 interessante observar que a melhora na percep\u00e7\u00e3o auditiva era inicialmente muito r\u00e1pida para ambos os tipos de sugest\u00f5es (ILDs e ITDs), o que sugeriria a exist\u00eancia de um padr\u00e3o geral, algo conceitual. Com o decorrer dos testes, a melhora tornou-se mais lenta, o que s\u00f3 aconteceu nas sugest\u00f5es de ILDs. Assim, foi preciso aumentar a freq\u00fc\u00eancia do treinamento para compensar o fato. Isso mostrou aos pesquisadores que a aplica\u00e7\u00e3o de sugest\u00f5es de ILDs e ITDs de forma separada em muito afeta a capacidade humana em perceber e localizar sons.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda que a pesquisa tenha sido voltada para outros interesses, tem consider\u00e1vel import\u00e2ncia para os estudiosos do \u00e1udio hi-fi. Comprova, pelo menos em parte, as alega\u00e7\u00f5es de que pessoas podem aprender a ouvir m\u00fasicas e sons de forma mais completa e detalhada a partir do momento em que se habituem a apreciar a reprodu\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica do som em equipamentos de elevada qualidade (high-end). Esses aparelhos s\u00e3o capazes de reproduzir todo o espectro auditivo, e at\u00e9 microdetalhes e nuances da pe\u00e7a musical. Sem d\u00favida, um grande deleite para o p\u00fablico audi\u00f3filo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por outro lado, a pesquisa n\u00e3o nega vigentes conceitos cient\u00edficos sobre os limites da audi\u00e7\u00e3o humana, como tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser tomada como verdade absoluta, j\u00e1 que dentro de um universo de mais de 5 bilh\u00f5es de seres humanos do planeta, apenas 32 pessoas participaram do experimento.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OUVIDO: O INT\u00c9RPRETE DOS SONS &nbsp; Saiba at\u00e9 que ponto os limites da audi\u00e7\u00e3o humana podem interferir na reprodu\u00e7\u00e3o musical &nbsp; POR VINICIUS BARBOSA LIMA [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-412","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/eventeditora.com.br\/hotsites\/ht25anos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/412","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/eventeditora.com.br\/hotsites\/ht25anos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/eventeditora.com.br\/hotsites\/ht25anos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eventeditora.com.br\/hotsites\/ht25anos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/eventeditora.com.br\/hotsites\/ht25anos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=412"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/eventeditora.com.br\/hotsites\/ht25anos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/412\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":458,"href":"https:\/\/eventeditora.com.br\/hotsites\/ht25anos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/412\/revisions\/458"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/eventeditora.com.br\/hotsites\/ht25anos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=412"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/eventeditora.com.br\/hotsites\/ht25anos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=412"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/eventeditora.com.br\/hotsites\/ht25anos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=412"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}